Poucas análises são tão informativas como uma simples colheita de sangue. Com um único procedimento, é possível avaliar o funcionamento de órgãos inteiros, detetar carências nutricionais, identificar riscos de doenças cardiovasculares e até detetar uma diabetes que ainda não deu sintoma nenhum. Mesmo assim, muita gente recebe o resultado da análise e não entende exatamente o que aqueles números significam.
Hemograma completo
O hemograma é provavelmente a análise de sangue mais pedida no mundo. Avalia três grandes grupos de células: os glóbulos vermelhos (hemácias), que transportam oxigénio pelo corpo; os glóbulos brancos (leucócitos), responsáveis pela defesa imunitária; e as plaquetas, que atuam na coagulação. Alterações nesta análise podem indicar desde uma anemia simples até infeções, inflamações ou, em casos mais raros, doenças do sangue que precisam de investigação mais aprofundada.
Glicemia e hemoglobina glicada
A glicemia em jejum mede a quantidade de açúcar a circular no sangue naquele momento. Já a hemoglobina glicada (HbA1c) mostra uma média dos níveis de glicose nos últimos dois a três meses, o que a torna mais fiável para diagnosticar e acompanhar a diabetes. Juntas, estas duas análises são a principal ferramenta para identificar diabetes e pré-diabetes antes de surgirem sintomas mais graves.
Perfil lipídico (colesterol e triglicéridos)
Este grupo de análises mede o colesterol total, o LDL (conhecido como “colesterol mau”), o HDL (“colesterol bom”) e os triglicéridos. Níveis alterados neste perfil estão diretamente ligados ao risco de enfarte e AVC, por isso costumam ser pedidos em praticamente todo o check-up de rotina, especialmente a partir dos 40 anos ou antes, caso haja histórico familiar.
Função renal (ureia e creatinina)
A ureia e a creatinina são substâncias que os rins filtram e eliminam do sangue. Quando os níveis sobem, pode ser sinal de que os rins não estão a filtrar corretamente — o que pode ter causas simples, como a desidratação, ou mais graves, como uma doença renal em desenvolvimento.
Função hepática (GOT, GPT e gama-GT)
Estas enzimas indicam como está o funcionamento do fígado. As alterações podem apontar desde o uso excessivo de álcool ou medicamentos até condições como a esteatose hepática (o popular “fígado gordo”), cada vez mais comum mesmo em pessoas sem excesso de peso.
TSH (função da tiroide)
O TSH é a principal análise para avaliar a tiroide, a glândula que regula o metabolismo de todo o corpo. Alterações nesta análise explicam sintomas como cansaço, aumento ou perda de peso sem explicação, queda de cabelo e alterações de humor — os problemas de tiroide são muito mais comuns do que se imagina, principalmente em mulheres.
Vitamina D e vitamina B12
Cada vez mais solicitadas, estas análises avaliam carências nutricionais que afetam a energia, a imunidade, a saúde óssea e até o humor. A carência de vitamina D, por exemplo, é extremamente comum mesmo em dias de sol, geralmente por baixa exposição solar adequada.
Com que frequência fazer estas análises
Para adultos saudáveis, sem fatores de risco, o check-up anual com este conjunto de análises costuma ser suficiente. Quem tem histórico familiar de diabetes, doenças cardíacas ou da tiroide, ou já apresenta alguma alteração prévia, pode precisar de acompanhamento mais frequente, conforme indicação médica.
O que fazer com o resultado
Números fora do intervalo de referência não significam necessariamente uma doença grave — muitos fatores momentâneos podem alterar um resultado. O mais importante é levar sempre as análises a um médico para as interpretar dentro do teu contexto de saúde geral, e não tentar autodiagnosticar-te comparando apenas com os valores de referência impressos no relatório.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica. Consulta um profissional de saúde para interpretar as tuas análises e definir a frequência ideal para o teu caso.